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Perigos da jogatina nas novelas: Quando a arte imita a vida

Foto: Divulgação

Atenta observadora das grandezas e das mazelas humanas, a escritora Glória Perez está liderando a audiência dos canais abertos no horário nobre desde que sua bem urdida trama sobre a força dos quereres pessoais começou a entrar nos lares de milhões de brasileiros, em abril. Manter uma novela no foco do interesse de um público tão amplo e diversificado, por tanto tempo, não é tarefa para principiantes, especialmente nesta era de fácil acesso à inesgotável oferta de distrações pela internet.  Glória faz isso com maestria ao construir histórias contundentes que refletem o cotidiano de milhões de pessoas pelo país afora e trazer para o debate, em doses certeiras de leveza e emoção, questões cruciais tradicionalmente  jogadas para debaixo do tapete com a ajuda do preconceito e da desinformação.

É o caso, para ficar apenas nos personagens mais polêmicos, da jovem que se descobre transexual e sofre ao sentir que seu conflito não é percebido pela família e vislumbrar o peso da rejeição que virá pela frente.  Ou da bem-sucedida profissional que vê a roleta engolir todas as fichas de uma vida até então tranquila, mas se torna incapaz de reagir e arrisca, na excitação das apostas, o casamento estável, a autoestima e a própria felicidade.  Enquanto contribui para manter a audiência recorde, Silvana, nome da personagem vivida pela excelente atriz Lilia Cabral, reproduz diariamente nas telas de tevê o drama de milhares de homens e mulheres que se tornam presas fáceis do transtorno de jogar ― a ludopatia, um mal tão preocupante que foi incluído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no Código Internacional de Doenças, o CID 10.

Os passos da personagem seguem o ritmo das situações descritas pelos profissionais especializados no atendimento a vítimas do transtorno da jogatina. O drama dos jogadores compulsivos, segundo a doutora em Psicologia pela Universidade de Kansas e pesquisadora da Universidade de Brasília Suely Sales Guimarães, pode ser reconhecido por meio de nove sintomas. Com profunda experiência nas áreas da psicologia clínica e da saúde, ela assegura que bastam quatro deles para diagnosticar o vício que entrou no foco das atenções da OMS. O sinal vermelho se acende com a necessidade de apostar quantias crescentes e se torna mais intenso quando a vítima começa a ficar irritada e inquieta ao ter menores oportunidades de jogar e é mal sucedida, se tenta jogar menos ou mesmo parar.  

Os demais sintomas revelam a forte teia que se fecha em torno do vício. O acesso ao jogo passa a dominar o rol de preocupações do jogador, que recorre às fichas de apostas sempre que se vê tomado por sentimentos como angústia,  culpa, depressão. Quando perde, volta a jogar para “recuperar o dinheiro”. Mente para esconder que joga. Perde emprego e relacionamentos. E, por fim, não consegue sair das graves situações provocadas pelo jogo sem a ajuda de terceiros. O conjunto de danos se assemelha aos efeitos devastadores provocados por drogas como o álcool, a cocaína, o crack e outras, reconhece a Associação Americana de Psiquiatria.

Lado financeiro da jogatina

A par dos estragos apontados pelos profissionais que se dedicam a estudar os efeitos desse transtorno nas vidas das pessoas e de suas famílias, a jogatina nada traz de bom para o país, ao contrário do que alardeiam os defensores da legalização dessa atividade. Para o Ministério Público Federal, o jogo de azar já tem dono – o criminoso – e a legalização servirá apenas para aumentar a lavagem de dinheiro, a sonegação de impostos e outros crimes. “Nada mais se fará do que legitimar uma atividade que se impôs e continuará se impondo pela violência e pela corrupção”, analisa o procurador da República Peterson de Paula Pereira. “A legalização é uma atividade de alto risco que exige uma estrutura forte de fiscalização, que o país não tem”, reforça o presidente do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues.

Todos os alertas são dados no momento em que dois projetos de lei visando à legalização e expansão da jogatina em todo o território nacional tramitam no Congresso, sob o olhar atento de parlamentares ávidos por soluções para o financiamento de suas campanhas. Os sinais estão no ar e é preciso prestar atenção neles. É importante lembrar que enquanto a autora da novela tem a varinha de condão para mudar o destino de personagens como Silvana, a vida real não admite mágicas. Cabe agora, aos deputados e senadores, tirar o bom senso e as reais necessidades do país das suas cartolas para desmontar essa perversa armadilha.      



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